Boa tarde amantes da prosa poética da vida, desde
já um grande abraço a todos os que seguem este blog com carinho, senso crítico
e atenção. Sei que já lá vão alguns meses desde o último texto deixado aqui... Sei
que é doloroso o som silencioso da ausência das Palavras! Devo dizer que minha
vida está completamente alterada passei de um mero solteiro iletrado para um
senhor licenciado e bem casado. Casamento e Licenciatura à parte hoje quero
falar sobre o passado risonho e o presente cinzento que em tudo se assemelha ao
não regresso de D. Sebastião.
Hoje após um longo dia de trabalho.... Decidi
voltar ao bairro que me viu nascer e crescer. Voltei ao bairro onde conheci
palavras como, amizade, paixão, desilusão, e desespero. Apesar de alguns dos
meus mais queridos familiares actualmente já não caminharem na estrada da
vida... e o bairro ter decidido escravizar tantos amigos de infância, não
consigo esconder a dor que me provocou este regresso. Voltei ao bairro para
visitar a minha querida avó, mas antes de entrar no local que ainda hoje chamo
lar. Deparei-me com nevoeiro, nevoeiro amante das ruas vazias que em plenas
férias escolares me deixaram à beira de um choque térmico, ou não fossem graus
negativos, e muitos os sentidos por lá. Não me entendam mal, não é de real
temperatura que falo mas sim de calor humano. Nos anos noventa nas mesmas
férias, o silêncio era trocado por gargalhadas, horas a fios de facebook
trocadas por cirumbas, escondidas e bolas de futebol no asfalto e na praia, o
excesso de preocupação parental era trocado por valentes serenatas, corridas de
carrinhos de rolamentos até às tantas na madrugada! É triste, demasiado triste
acompanhar inexistência de uma infância saudável. O que se passa connosco?
Sociedade, porque não brincam as crianças nas ruas? Que tipo de entretenimento
permitimos os nossos filhos ter? Internet? Somente em prol da segurança?

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